quinta-feira, 25 de março de 2010

Origem da Dança do Ventre OU RAKS EL SHARQ



A Dança Do Ventre é o último vestígio do ritual das sacerdotisas no Oriente Médio e uma das mais antigas formas de arte.


A sua origem remota de muito tempo antes do Islamismo e do Cristianismo,vem de uma época pagã de culto a muitos Deuses e a natureza. A Deusa Mãe era adorada,sexo e nascimento eram sagrados; nesse período muitas sociedades eram matriarcal, a Dança do Ventre era de cunho sagrado sendo realizada em templos por sacerdotisas que dedicavam suas vidas a cultuar as Deusas em rituais de fertilidade e prosperidade. Nesse contesto a dança viveu durante algum tempo sem o caráter artístico ou de entretenimento.

Com a invasões árabe e romana nesta região veio também a mistura de culturas e as mudanças no cenário religioso, a sociedade de matriarcal tornou-se patriarcal, o culto a um único Deus masculino começou a conduzir esta sociedade, dando fim a época “pagã”.


O povo árabe foi o responsável por difundir a Dança que a partir daí tomou o caráter de entretenimento e artístico. Surgiram neste contesto as Ghawazees, mulheres exóticas e de origem cigana que dançavam ao ar livre (para o povo) e as Awalins , dançarinas que se apresentavam nos palácios em festas e ocasiões solenes (para a elite).

A dança do Ventre sofreu influencias de povos diferentes e com isso transformações ao longo de sua existência.

Chegou ao Ocidente no século XIX inicialmente com o nome de Dança Oriental,porém como a palavra oriental abrange muitas culturas foi chamada pelos franceses de Dance du Ventre e depois pelos americanos de Belly Dance.

BENEFICIOS DA DANçA DO VENTRE
• Melhora alongamento e flexibilidade;
• Coordenação motora;
• Modela o corpo, afina a cintura, tonifica musculatura interna e externa dos braços, pernas e abdômen;
• Corrige postura diminuindo dores na coluna,derivada de desvios posturais;
• Massageia os órgãos internos estimulando um melhor funcionamento
• Ajuda a emagrecer;
• Alivia tensões, combate o estress;
• Desperta a feminilidade.

A DANçA DO VENTRE NÃO DA BARRIGA! Pelo contrario, trabalhamos muito a musculatura do abdômen, tonificando-o, portanto, esta afirmação é absolutamente sem fundamento.


“A Dança do Ventre alimenta a nossa alma!
Estar em um ambiente mágico, trabalhando nosso corpo de maneira prazerosa ao som de uma música perfeita, equilibrando nossos centros energéticos, tudo isso causa um enorme bem estar.
Tire um tempo para você, um tempo para se encontrar, ser mulher.
Venha fazer dança do ventre e descubra o prazer de dançar a vida! ” (Milene )



Dança da espada ou Raks al Saif


Existem muitas vertentes sobre essa dança, uma delas é que ela teria surgido em um grupo de beduínos que a noite atacavam viajantes que passassem perto de seus domínios, os viajantes eram saqueados e mortos , para comemorar , as mulheres desta tribo dançavam com suas espadas exibindo-as como troféu.


Há outros contos sobre o surgimento dessa dança, o certo é que a apresentação com espada requer equilíbrio e habilidade para que a dança seja realizada de forma graciosa e harmoniosa, é muito importante a escolha da música certa, que deve transmitir um ar de mistério.



Dança do Punhal


Esta dança não tem um significado padrão, usamos trajes comuns e o ritmo mais usado é o Wahd Wo Noss. A história nos revela esta dança como um rito de reverência a deusa Selkes, a rainha dos escorpiões que representa a morte, a transformação e o sexo.


Na Arábia e no Marrocos é tradição ficou também bastante associada a ciganos e mulheres que dançavam nas ruas, pois o punhal é uma arma de defesa.



Dança do Candelabro ou Raks Al Shamadan


Esta dança existe á muitos anos e faz parte de celebrações de casamento e nascimento. No Egito é tradicional em casamentos, a bailarina conduz o cortejo do casamento levando o candelabro na cabeça, desta maneira ela ilumina o caminho do casal, como uma forma de trazer-lhes felicidades.


A roupa para esta dança deve ser mais composta pois é considerada sagrada por celebrar casamentos e nascimentos algumas bailarinas gostam de dançar com chadô, dando certo mistério a dança.






Dança com Snujs


Os snujs são instrumentos de percussão que algumas bailarinas tocam. Para uma apresentação com snujs é necessário o estudo dos ritmos árabes, para desenvolvermos ouvido musical, e contagem de tempo. Um mesmo ritmo pode ficar lento e depois mais rápido, conforme a música, se não houver o domínio musical fatalmente a bailarina vai se atrapalhar.





Dança do Pandeiro


Ligado a ritmos folclores este instrumento está relacionado ao espírito Oriental, o traje de quem dança deve ser um vestido. Assim como os snujs acompanha-se seu som com o ritmo da musica, com o som forte do pandeiro a bailarina deve marcar o ritmo com precisão e graça. É uma dança de comemoração, alegria e festa.




Bengala ou Raks El Assaya

É a versão feminina de uma dança masculina originária de El Saaid, região do alto Egito, chamada Tahtib. Os homens simulavam uma luta com seus bastões (Shoumas). As mulheres usam um bastão leve ou bengala, imitando-os, porém de maneira suave e feminina usando habilidade equilíbrio e charme.


A roupa típica desta dança é um vestido e um lenço no quadril, nunca devemos dançar de roupa comum. O ritmo mais usado é o Saaid .



Zaar


É uma dança de êxtase e exorcismo praticada no norte da África e no Sudão. Não aceita pelo Islamismo. Ao som de percussão forte a bailarina dança e gira, o ritmo é chamado Ayubi.



Khalige ou Raks El Nach'at


É uma dança tradicional do Golfo Pérsico, Arábia e Emirados, também chamada dança dos desertos, pois os nômades são os bailarinos tradicionais. As mulheres usam longas túnicas ricamente bordadas por cima de suas roupas, dançam de forma bem sensual movendo a cabeça os cabelos e marcando o ritmo nos pés.



Dança do Jarro ou Raks Al Brik


É uma tradição tão antiga que se perde no tempo. Retrata o cotidiano de mulheres reprimidas que iam buscar água na fonte com seus jarros de barro.

Cantores e musicas compunham versos e rimas de amor para cantar a beleza destas moças pegando água na fonte, com os rostos quase sempre cobertos, assim como todo o corpo, ao aproximar-se das águas era preciso subir um pouco o vestido para não molhar, um delírio para os rapazes que apreciavam escondidos.


Da habilidade de equilíbrio pesados jarros de água surgiu esta dança no norte da África, muitos senhores ofereciam a seus hospedes exóticas apresentações ao servir vinho.




Hagallah


É uma dança realizada pelos beduínos da região de Mersa Matruh. A palavra Hagallah vem do árabe hag'l que significa pular, saltar. Hagallah é dançada em procissões de casamento, nesta celebração familiares e amigos acompanham os noivos com cantos e palmas, a dançarina vai a frente com passos curtos e shimmies, podendo estar total ou parcialmente coberta de véus, levando nas mãos um véu ou um bastão(o bastão não é manuseado). A música é improvisada pelas pessoas presentes (voz e palmas).


Esta dança foi pesquisada e adaptada para palco por Mahmoud Redá por volta de 1966,ele investigou e resgatou este folclore.



Andaluz


Andaluz Originada pelos mouros islâmicos de Kadiz,Andaluzia(Espanha),este estilo também chamado de Malouf é caracterizado por passos ligeiros e graciosidade arabesca que desenham a melodia.O véu é usado para marcar a sinuosidade dos movimentos,é dançado ao som de música clássica Nouba e encontramos alguns elementos de Ballet clássico neste estilo. Ghawazee A tradução para o termo ghawazee é invasoras,de uma forma romântica podemos dizer invasoras de corações,pois elas dançavam e encantavam.Eram mulheres exóticas de origem cigana que dançavam ao ar livre.Até hoje estão presentes no meio do povo egípcio,ganhando seus corações com sua dança alegre e contagiante. Foram as primeiras bailarinas profissionai da dança.



Dança Das Flores

Era dançada por camponesas para comemorar a colheita e as vezes para aliviar o ardor do trabalho pesado.Nesta modalidade a bailarina oferece flores ao público.


Dabke Os fenícios com argila,os trabalhadores para amassar este barro batiam com os pés ao som do toque de um tambor,surgiu assim esta dança que é muito popular entre os árabes por ser alegre e contagiante.Dabke pode ser dançado por homens,mulheres e crianças.




Dança dos Véus


Não se sabe ao certo como surgiu esta dança.Dizem que sua raiz esta na dança dos sete véus;nesta dança cada véus representava os sete chkras.


O véu é atualmente um dos símbolos mais comuns da dança,podendo ser usado para emoldurar o rosto ou o corpo da bailarina ou ainda desenhando ao sabor da musica.


“O véu de uma bailarina nos envolve em uma atmosfera de mistério e magia,transportando-nos para um lugar de sonhos.Esta é a sensação que fica ao assistirmos uma boa apresentação com véu”.




Melea-Laff


É um tipo de lenço que ganhou popularidade no Egito nas décadas de 30 e 40, pois as meninas do Cairo enrolavam-se nelas para dançar. Para esta dança é preciso que a bailarina seja muito carismática, charmosa e exagerada nos gestos; é uma dança usada para paquera. Apesar de o lenço usado ser de tecido grosso e escuro é ao mesmo tempo revelador, pois o tecido é enrolado bem apertado ao redor do corpo, marcando as curvas do quadril e da cintura, assim sendo o véu cria um tipo de dança provocante, ainda que totalmente coberta.


A Bovika é um véu tricotado com buracos, tradicionalmente acompanhado nessa dança, usado para cobrir o rosto.


Para dançar Melea é preciso saber enrolar e desenrolar o véu de maneira correta ao corpo, ter muito charme e graça, é comum em apresentações desta dança a bailarina entrar para dançar mascando chiclete e falando palavras soltas em árabe no meio da musica, isto caracteriza o personagem tipo do melea, as mocinhas charmosas do Cairo.


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